








Ecótonos (do grego oikos: casa, e tônus: tensão/tom) são áreas de transição onde dois ou mais ecossistemas se encontram e convivem. Essas zonas, ricas em biodiversidade, dão origem a interações complexas de características únicas.
Nesta ocupação/encontro de ecossistemas singulares, apresentamos uma Invenção Ecótono, reunião de microclimas, altitudes, longitudes, latitudes e dispersão de sementes de nossas três produções.
Ao convidar Mariza e Clarice para construirmos juntas esta mostra, percebo que minha escolha nasce de afinidades ligadas à convivência. Mariza, parceira de longa trajetória – primeiro nos anos 80, quando nos conhecemos numa produção de cinema, seguida da criação em dupla de uma coleção de roupas; e nos últimos quinze anos, nas aulas semanais em meu ateliê, – aprendemos uma com a outra, experimentando e refletindo modos e processos de fazer arte.
Clarice trouxe a palavra que nomeia esta mostra. Amiga recente, vizinha e parceira em projetos de trabalho e de transformações na vida, nas caminhadas que fazemos pela cidade, aprendo com ela a olhar para as árvores, suas formas e modos de espalhar sementes, folhas e galhos. Em nossas trocas, aprendo sobre escuta e sobre modos de colaboração.
Convivência é um tipo de mistura complexa: envolve afinidades, mas também contrastes. E talvez as fricções, deslocamentos e tensões dessas diferenças abram espaço para alguma coisa inesperada e única, que só pode surgir da disposição e da dinâmica que acontece na cooperação.
Neste encontro, esperamos tecer uma zona de transição entre técnicas e volumes, escutas e ações, passado e presente, investigações e quimeras. Uma coreografia entre naturezas, olhares e experimentos – uma forma de travessia que ecoasse risco e fantasia também para as pessoas que nos visitaram.
Clarice e Teresa